gracias a la vida

Desculpa se não conseguir mais ver(te)/vos, são as trevas que não me libertam. Apreciaria muito se transmitisses esta msg aos nossos amigos. Nem sabes quanto. Beijos mil para todos, foi um percurso fantástico!”

ontem, agosto disse que ” a isabel termina hoje o seu protesto

 

hoje dizemos hasta sempre, comandante!

viva a revolução! viva a poesia! viva o FC Porto! Viva a  Isabel!

 

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,

com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

Não os chamo, e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.

— Temos um talento doloroso e obscuro.

Construímos um lugar de silêncio.

De paixão.

de Lugar

 

Herbert Hélder

 

 

Fervor de Buenos Aires

O Apaixonado
 
Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

A pele era o que de mais solitário havia no seu corpo.
Há quem, tendo-a metida
num cofre até às mais fundas raízes,
simule não ter pele, quando
de facto ela não está
senão um pouco atrasada em relação ao coração.
Com ele porém não era assim.
A pele ia imitando o céu como podia.
Pequena, solitária, era uma pele metida
consigo mesma e que servia
de poço, onde além de água ele procurara protecção.

Luís Miguel Nava

 

errata

Onde se lê Deus deve-se ler morte.

Onde se lê poesia deve-se ler nada.

Onde se lê literatura deve-se ler o quê?

Onde se lê eu deve-se ler morte.

Onde se lê amor deve-se ler Inês.

Onde se lê gato deve-se ler Barnabé.

Onde se lê amizade deve-se ler amizade.

Onde se lê taberna deve-se ler salvação.

Onde se lê taberna deve-se ler perdição.

Onde se lê mundo deve-se ler tirem-me daqui.

Onde se lê Manuel de Freitas deve ser

com certeza um sítio muito triste.

 

Manuel de Freitas

Hapiness (awaiting Marga’s translaction)

Hours no are no longer my measure of time,

nor is the Sun’s fervent pace;

Day is when his eyes meet mine,

night is when they newly egress.

 

My joy is not measured by laughter,

nor whether his yearning is fainter than my,

joy is our mutual silence in sore,

when with the same beat our hearts cry.

 

I am not sorry that down the river of life

a drop of my existence will also slide,

may youth and all depart now,

greatly admiring me he stopped beside.

 

Desanka Maksimovic

Iniji

 

(…)

 Um corpo tem a lembrança excessiva de outro corpo

um corpo já não tem imaginação

não tem paciência com nenhum outro corpo

 (…)

 Este coração já se não entende com os corações este coração

não reconhece ninguém na turba dos corações

Corações cheios de gritos, de ruídos,

de bandeiras

 

este coração não é desenvolto com estes corações

este coração esconde-se destes corações

este coração não se compraz com estes corações.

 

 Henri Michaux